domingo, 29 de junho de 2008
Things I've learned this week: living in America (II)
É estranho mas aqui é Mesmo proibido beber álcool na rua, ou num parque ou num pique-nique, assim só porque apetece. No espaço público não há álcool (God dixit?). A Jenny disse-me que na prática isto resulta em termos inocentes a serem usados como garrafas de vinho. Vem-me neste momento à memória um concerto de rua que tinha um sinal a dizer "no drinking beyond this space" (pareceu-me tão estranho que só agora me faz sentido).
Não há vinho nem cerveja em super-mercados. Temos que nos deslocar a umas lojas especiais e mostrar ID (no meu caso, passaporte) pelo menos teoricamente. Dado que quando vou a festas tenho levado (além de bebidas boas, como sumos) garrafas de vinho para a malta já entrei nestas lojas duas vezes. Têm todas tantas garrafas que a escolha se torna num processo agonizante. Especialmente para quem o vinho é todo igual e sabe a remédio. Em todo o caso, numa não quiseram saber se tinha menos de 18 anos (quiçá o vendedor estaria bêbedo?).
Também em bares se tem que mostrar identificação para beber. Esquisito. Estamos descontraídos a conversar, o tempo passa, o humor fácil surge, a descontracção aumenta, pede-se qualquer coisa e é como se a polícia chegasse à mesa. Mesmo eu, que não bebo, tenho que andar de passaporte no bolso.
2. Relações
Conhecer novas pessoas é fácil, estabelecer connections é simples, e a cortesia é a medida comum pela qual se pautam. Mas a intimidade continua difícil. Segundo alguns portugueses, é mesmo mais díficil do que noutros ambientes. Se não tivesse falado com a Jenny atribuiria este paradoxo ao clima estudantil, ao mesmo tempo individualista e descontraído, e à rotatividade de pessoas no Burgo. Mas não, ela sublinha: "This is America."
A distinção entre amigo e conhecido é mais subtil. Consequentemente, nós [europeus], habituados a relações com símbolos de intimidade bastante diferenciados para pessoas em diferentes locais da hierarquia emocional, podemos ficar confusos.
Devem haver mais gradações também nas relações amorosas. Tive hoje um debate (foi mais uma digressão) sobre se o conceito de "dating" equivale a estar numa relação ou não. Aparentemente, não há resposta simples. Pode ser e pode não ser.
3. Tolerância
Tenho que dizer (sem muita vontade, confesso), que encontro muito mais boa-vontade nas ruas desta cidade do que em Lisboa. Pelo menos, aparentemente.
Vêem-se mais pessoas com "necessidades especiais" nas ruas. Deficientes, pessoas em cadeirinhas de roda tecnológicas, whatever. Mais, é normal ver pessoas a tagarelarem com deficientes em autocarros, repito: a não ignorarem estas pessoas. É a américa novamente: o chit-chat com o vizinho do autocarro é normal.
Isto reflecte-se nos serviços, que aqui são mais para todos. A minha universidade tem acessos visíveis para estas pessoas. Na biblioteca principal, a porta maior e central é para pessoas em cadeiras de rodas. No Pingo Doce aqui da zona, um deficiente mental embalou-me as compras (o Alex diz que neste supermercado são todos deficientes, mas isso já são outras conversas). No aeroporto, existem cadeiras e auxiliares para pessoas que não se consigam deslocar facilmente. E não são só brancos gordos que andam de cadeirinha. Vi um puto preto sozinho a beneficiar deste serviço.
E vêem-se muitos casais mistos nas ruas. Mais do que em Lisboa até, parece-me. E a universidade está cheia de pessoas de todos os credos.
4. A eficiência
Tenho que dizer que estou um bocado desiludida. Apercebi-me que agarrada à ideia dos States serem (toda a gente diz) mais desenvolvidos que Portugal vinha a presumpção que aqui tudo era como eu conhecia, mas melhor.
Mentira, aqui tudo é diferente.
Isto é, a menina do banco é, sem dúvida, muito mais simpática e prestável que as meninas portuguesas. Trata-me com muito mais atenção (como se eu tivesse mesmo dinheiro). As coisas aqui são, indubitavelmente, mais rápidas, menos burocráticas, mais... eficientes. Mas, e depois? Para levantar dinheiro em qualquer ATM que não pertença ao meu banco pago uma taxa. Só posso fazer 6 transferência pela internet por mês (state law). E se alguém apanhar o meu cartão de débito americano pode usá-lo como cartão de crédito.
E nem falemos de saúde e dos seguros. Mais vale rezar para que nada aconteça.
My joyful little house
sexta-feira, 27 de junho de 2008
American afternoon com sabor português
Juntei gráficos, revi mentalmente os factos importantes, respondi a perguntas imaginárias, sofri com as que não tinham resposta clara.
Tentei esboçar quadros teóricos que explicassem os factos.
Às cinco quase que roí as unhas.
Mas respirei fundo, desci as escadas e bati à porta.
Ninguém!
Ele hoje não esteve na CMU.
É claro que depois de tal anti-clímax, arrumei as coisas e fui para casa.
Mas sem me apetecer arrumar-me no sofá ou na sala ou em qualquer recanto, resolvi dar uma volta. Comi um gelado super-size (tive que o deitar a fora a 70% - impossível de acabar!) e fui para este sítio, que já elegi como o meu sítio favorito da cidade, pela proximidade com os rios:
Neste sítio, mesmo na downtown, o Monongahela e o Allegheny juntam-se para formar o Ohio. Os americanos transformaram este vértice de água num parque sem arranha-céus onde se pode passear e andar de bicicleta. E as pinguinhas do repuxo servem para imaginar a que cheira o delta do Tejo.
Fiquei aqui até quase o sol se pôr e depois, ia eu muito bem para casa... ouvi um barulho. Era mais um batuque, assim como... uma festa! É claro que fiz um desvio, apenas para encontrar um montão de gente num concerto de rua a sambar ao ritmo de uns tipos de Brooklyn. Só me apercebi que era mesmo samba quando a apresentadora falou em português "Ôi, minhá gentxe, à fésta não acabou aqui não!".
É verdade que a língua é uma nação. Comprei o CD (que estou agora a ouvir) e como é bom ouvir português, ou melhor português musicado ao som do brasil! As letras são em inglês e em brazuca e os títulos mais lindos são: Onde tem cerveja tem mulher e A cowboy in Brasil. E os ritmos são uma mistura de country com samba e, provavelmente, com outras coisas (a Jenny diz que soa meio a música irlandesa, mas ela confessou-me que está meio bebeda)...
Até breve, gêntxe!
quarta-feira, 25 de junho de 2008
How many times can you eat veggie burger with pasta with organic tomato sauce and lettuce (without getting totally fed up)?
Já voltei aos cereais para o jantar.
Entretanto, pormenor americano do dia: ora ia eu no autocarro, cheio de malta cool em festa na cauda do autocarro, quando, de súbito ouço uma voz microfónica "rrm ... no swearing!". E imaginem lá qual foi a resposta: "sorry boss".
terça-feira, 24 de junho de 2008
I found (II)
a Espiral cá do sítio!
Só quem é europeu, talvez mesmo só quem é tuga, pode compreender o desespero de tentar encontrar boa comida (daquela que nos deixa a fome, a gula e a consciência tranquilas) nas ruas desta cidade. É parecido com o desespero de tentar encontrar boa comida no Colombo ou Vasco da Gama.
Mas eu encontrei! Um restaurante vegetariano biológico que serve um mix de diferentes pratos, à la Espiral, quente! Hum, que alívio (já estava a ficar mais magra e tudo).
2.
Entretanto, encontrei (enviaram-me por mail) ainda um artigo sobre a maneira como a filosofia da escola de Chicago se pode infiltrar nas políticas do Obama. O jornal é o jornal da esquerda cá do sítio (eu não sabia) e o artigo foi escrito pela Naomi:
http://www.thenation.com/doc/20080630/klein
(nota: a escola de Chicago é uma das que defende acerrimamente a não intervenção do Estado e a auto-regulação do mercado).
Mais uma vez, não me parece que isto seja representativo dos media americanos.
E agora, trabalho!
domingo, 22 de junho de 2008
And the week (and vacations) eventually end...
As lições americanas da semana:
(as portuguesas são outras)
1. As trovoadas magníficas - em que todo o céu se ilumina e range - são triviais.
2. Everybody's nice tirando @s empregad@s da "mercearia" cá do sítio ("Giant Eagle" - Águia Gigante).
3. O conceito "comer bem" deve ser diferente. Há bolor em alguns produtos vegetais do super-mercado. Outros parecem velhos. São todos caros. Esqueçam verificar a data em que foram embalados.
(parte da razão deve-se ao facto da Águia Gigante - aberta 24h/7d - ter comido os pintainhos e ser um monopólio nesta zona da cidade).
4.Pensar que se é rico é outra coisa. Pode-se comer tanto até ficar se uma bolinha; comprar pequenos camiões para ir ao cinema; gastar energia em arrefecimento inútil, só porque sim.
5. Ser muito muito rico então, é mesmo outra coisa. Enquanto uns não têm água em casa, outros lavam os pés em cascatas naturais (literalmente).
(fui ver esta casa na 6ª, desenhada pelo Frank Lloyd Wright nos anos trinta para uns magnatas cá do Burgh: http://www.paconserve.org/index-fw1.asp)
6. O King é fixe e recomenda-se, tanto a sala de cima como a sala de baixo. Ontem fui ver uma performance sobre a situação do afro-americano cá do sítio. A artista estava descontroladamente poética e foi impressionante.
7. Provavelmente, o New York Times não é representativo dos media americanos. Coisas que aprendi ontem enquanto fazia zapping:
- há um professor no Ohio que brandiu a cruz nos braços de alunos, entre outras atrocidades católicas de que não me lembro. (Geraldo)
- há uma esquadra numa cidade perto de mim onde existem fantasmas. (Geraldo)
- alguns tipos afectados pelas cheias estão #$%idos porque não tinham seguro contra cheias. A responsabilidade por esse azar é deles mas felizmente foi aprovado um fundo para que ainda possam fazer um seguro. (CNN)
- a Michelle Obama é fixe porque apareceu com um vestido de apenas 99$ na TV (Geraldo/Vários).
- houve um pacto de estudantes adolescentes para ficarem grávidas algures no Massachussetts. O médico dessa escola demitiu-se porque, ao contrário do permitido, entregou contraceptivos aos jovens (acho que não me enganei). Havia um senhor negro na TV indignado com isto (com o pacto, mas pelo ar também ficaria indignado se ouvisse falar de distribuição gratuita de preservativos). (CNN/o senhor negro era do canal local)
- a irmã da Britney Spears teve uma filha; o Tiger Woods ganhou o torneio com uma perna partida e uma pessoa relacionada com o Hulk Hogan atropelou um inocente porque estava bêbado (sortido).
8. O jantar foi bom, mas teria sido ainda melhor se não tivesse sido fuinha e comprasse sumo de frutas.


